Você tem estereótipos? Isto é, acredita que alguém seja gay apenas por possuir uma característica como as citadas abaixo. Marque as opções que você acredita que sejam sinais de homossexualidade.

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domingo, 1 de novembro de 2009

E quando aparecer a próxima...





Alguns dias marcantes acontecem assim, de surpresa. Com certeza, naquele momento, eu não imaginava que seria um dia do qual eu não me esqueceria tão cedo.
Não me lembro exatamente como, comecei a participar de uma comunidade sobre musicais no site de relacionamentos do Orkut, onde já falava com um grupo de jovens, que sempre combinava de ir junto às peças de teatro musicais. Era a primeira vez em que eu convivia com uma turma em que todos os homens eram homossexuais, o que era uma grande novidade para mim. Eu ia com eles às peças, mas de alguma forma, por mais que pensasse já ter superado a fase do menino tímido e magrelo na escola, sempre esquecido no canto, eu ainda me sentia assim. Falava muito pouco, enquanto eles riam e brincavam, fazendo diversas piadas internas. Pensei em esquecer aquele grupo, nenhum deles sentiria diferença entre minha falta e minha presença. Foi quando Pierre, um dos rapazes que parecia ser o líder do grupo, falou rapidamente sobre uma festa de divulgação de uma peça. Aconteceria em uma boate GLS de Ipanema, no Rio.
- Você vai, né? – perguntou Cibela, a menina extrovertida e simpática que vivia andando com Pierre.
A ideia não me veio à cabeça muito agradavelmente, pois sempre procurei evitar festas e tumulto, desde a infância. Pensar em entrar em uma boate me fez tremer por dentro, o que não demonstrei. Devo ter perguntado rapidamente, como quem não quer nada, se havia muito tumulto por lá.
- Ih, relaxa! Que nada! É tranquilo!
- Está bem, então se eu ficar muito tímido, fico conversando com você! Não me largue lá sozinho, heim! – eu disse sorrindo, como quem está brincando, mas na verdade estava apavorado. Eu já era um homem e precisava provar para mim mesmo que poderia vencer meu medo de sair de noite para festas com amigos.

Assim chegou o dia (ou melhor, a noite). Desliguei as luzes do apartamento, coloquei a comida para Lilith (minha gata), coloquei meu chapéu (boina, que seja) predileto, bati a porta e saí. Na rua, caminhando pelo escuro até o ponto de ônibus, vi uma estrela cadente no céu. Enquanto caminhava chutando pedrinhas pela rua, eu já não me lembrava de quando tinha visto uma estrela cadente pela última vez, e pensei, apenas para me distrair, em quando seria a próxima.
Cheguei mais cedo e fiquei esperando em frente à boate. Não havia ninguém além da moça da bilheteria, que conversava animadamente com um rapaz. Algumas pessoas passavam na rua e dois homens brincavam um com o outro: "entra aí, quem sabe você se descobre...". Foi então que lembrei: a boate era GLS. Não saí de perto, continuei esperando por meus amigos ali. Não estava fazendo nada de errado, e não era mais o menino inseguro da escola, era um homem disposto a encarar tudo e assumir meus gostos. De repente me senti seguro de novo.

Como ninguém aparecia, tentei ligar para Pierre ou para a Cibela. (Celular não funcionando, que droga!) Não estava com os números deles ali, havia esquecido que meu celular não armazenava mais (para que eu ainda tinha esse celular? Ah, sim, acho que ainda funcionava como despertador ou coisa que o valha).

Uma fila já começava a se formar ali, quando avistei de longe um rapaz que eu sabia que era do grupo, mas que só conhecia por fotos, fui até ele. Cumprimentei Fernando, que sorriu simpaticamente para mim, mas de uma forma que me lembrou os meninos populares dos tempos de escola. Aqueles que podem até sorrir simpaticamente para você, mas que jamais se permitiriam ser amigos de pessoas “não populares”. Eu lembrava claramente da época no colégio, eu me aproximava e eles continuavam conversando como se eu não estivesse ali. Sim, eu ainda tinha isso mal resolvido dentro de mim, confesso. Bom... seja como for, não era hora para ficar pensando nisso, fui com Fernando até onde estavam Pierre e os outros. Lá estava também Otávio, que era mais velho e tinha uma pose de intelectual. Otávio não era exatamente o rapaz mais bonito de todos, mas tinha uma segurança que o fazia parecer mais forte do que todos e, portanto, muito popular. Ao contrário de Pierre, ele era másculo. Eu, na minha inocência de garoto que nunca saiu para a noite, nunca imaginaria que pessoas como ele e Fernando pudessem ser gays. Tantas coisas se passavam na minha cabeça naquele instante sem que ninguém imaginasse.
- Eu fico na fila se quiserem ir comprar alguma coisa para beber. Lá dentro é tudo caro. – avisou Otávio com sua voz penetrante.
- Vamos! – determinou Pierre.
Pierre tinha talento para liderar e sempre determinava a maioria das coisas.
Andamos até a praia, cada um comprou uma lata de cerveja e eu, uma coca.
- Coca-cola? – Debochou Nando. – Bebe com a gente, rapaz.
Eu ri timidamente.
- Não bebo.
- Não sabe o que está perdendo.
- Não liga para o Nando, ele gosta de levar os outros para o mau caminho. – brincou Cibela.
Eles continuaram conversando enquanto eu continuava participando com os olhos, sem falar muito, como sempre. Nando falava sobre suas tentativas de atuar em peças de teatro, e de como os os diretores só escolhiam os “homens mais lindos” (palavras que ele usou) para participar. Eu nunca imaginaria ver palavras como essas saindo da boca de um rapaz como Nando, e aquilo me deixou animado. Talvez eu não tivesse motivo para ser tão inseguro. Aquilo não era mais a casa da mamãe, ou a escola no Ensino Médio. Era vida real, vida adulta.
Enquanto voltavam da praia à porta da boate, alguém tocou no nome de um garoto, um gay feio e de cujas piadas ninguém ria.
- Ai, detesto gente sem senso de ridículo. – reclamou Pierre.
Cibela e Nando concordaram, debochando do rapaz.
- A gente nunca convida ele, mas ele volta e meia aparece nos nossos encontros. Ele já devia perceber que a gente acha ele um mala.
Eu sabia de quem eles falavam. Pierre já havia me mostrado quem era. Era um garoto afeminado, gordinho, com espinhas no rosto e aparelhos nos dentes, e que, realmente, fazia comentários impertinentes e desligados de toda e qualquer conversa. Tive uma pena do rapaz (talvez tivesse me identificado com a situação, droga de insegurança). Eu não era feio ou afeminado, definitivamente, mas já soube o que é estar fora de um padrão que alguém convencionou como melhor.
- Sinto muito por ele. – eu me arrisquei a dizer – não há nenhuma forma de dizer que ele não é bem vindo sem machucá-lo?
- Ai, mas ele deve se tocar e perceber sozinho. Bom senso, né... – disse Pierre, gesticulando muito.
Aquilo me assustou. E se eu não fosse bem-vindo? Como eu saberia? Será que eu tinha bom senso. Talvez eu nem devesse estar ali, mas já era tarde demais. Voltamos à boate.
- Vocês demoraram, heim. Já está quase na hora de entrar. – comentou Otávio simpaticamente, mas com seu ar suntuoso de sempre. Olhei bem para ele e para a forma como seus lábios se moviam enquanto falavam. Otávio não era lindo (dentro dos padrões da nossa sociedade), mas havia algo nele, em sua masculinidade, que o tornava atraente. Percebi que me sentia atraído por ele.
- Cibela vai sobrar hoje, heim! – riu Pierre.
- Fazer o que se todo mundo aqui gosta da mesma coisa? – Otávio disse, sorrindo, e todos concordaram.
A fila andava, meu coração começou a disparar. Como um instalo, lembrei da minha juventude, do meu pânico ao entrar em festas ou ambientes lotados. O coração acelerava mais e mais. Queria pedir socorro, gritar, mas ao mesmo tempo não podia deixar que sequer percebessem meu nervosismo. Tive receio de que me rejeitassem. Por que o mundo tem que ser tão cruel? Para que tantas regras estúpidas? Sentindo que iria enlouquecer, segurei fortemente no braço de Cibela.
- Por favor, não se afasta de mim. – eu disse baixinho a ela. – Detesto lugares lotados, você sabe...
Sempre tive mais confiança em meninas do que em rapazes, desde pequeno, sempre achei as mulheres mais sensíveis. Era o momento de confiar em Cibela.
- Ih, relaxa, gato, você vai se soltar lá dentro. – ela respondeu se desvencilhando.
Chegou minha vez na fila, entrei na boate por uma porta escura e fui andando. Não enxergava nada. “É por ali”, ouvi alguém dizer de longe. Abri uma outra porta e então... (continua)

8 comentários:

  1. caraaa
    naum me mata de curiosidade
    eu so a sara do orkut
    po meu
    a-do-rei o seu blog
    e superrrrrr d+++++
    valeu ai ter contadoa a historia
    isso parece novela (num bom sentido claroooo)
    eu ameiii
    continue sempre assim viu !
    beijinhosss

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  2. ai so eu denovo
    so queria falar tem uma parte q vc diz assim :
    "um "gay feio" e de cujas piadas ninguém ria"
    acho q a expressam '"gay feio ""
    e meio pejorativo
    pq como ta escrito no comerco ,
    q vc diz :

    ""Como me descobri como homossexual"""
    e isso e meio q xingar o ""gay feio"'

    e ao mesmo tempo vc tb
    naum achei q ficou ruim
    mas isso parece preconceito
    mesmo assim
    eu amooooooooo
    de coracao o seu blog
    e d+++
    ta bjssss
    sara

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  3. Bom, eu discordo, Sara. Afinal, existem gays feios também, assim como existem héteros feios. Preconceito seria se eu dissesse que ele era feio por ser gay.

    E essa frase precisa ser analisada dentro do contexto da história. Não fui eu quem disse que o rapaz era feio, eu nem o vi. Ele era o "gay feio" dentro dos padrões daquele grupo. Coloquei para ressaltar que isso de popularidade, beleza, etc... (o que eu acho uma grande bobagem) existe também aí, como em qualquer lugar.

    Beijos.

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  4. podias contar a tua história numa comunidade de contos gays no orkut...:)

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  5. Bah gostei Bastante tbm ^^

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  6. Nossa muito massa essa tua historia,mas continua logo to morrendo d curiosidade.Pows sabia que o protagonista ia acabar se soltando e acabar sendo o mais saindinho dessa turma,acho q ate vai chocar os outros com aquele negocio:''Nossa quem te viu quem te ver,vc sempre tai quietinho..''

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