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domingo, 15 de novembro de 2009

A carta de amor proibida (sobre a primeira grande paixão)




Bom, foi assim que tudo começou... Cheguei naquele dia à nova escola. Havia me mudado recentemente para aquela cidade e era meu último ano escolar, finalmente. Eu só precisava ter um pouco de paciência e tudo acabaria. Não pretendia fazer amigos ou ter um ano marcante, meu objetivo era acabar logo com tudo aquilo.
Não tinha boas recordações do tempo de escola, sempre fui tímido e tive pouca popularidade. Isso tudo além da dificuldade em acompanhar o que os professores falavam. Se por um lado eu era sempre o melhor aluno em português e literatura; em matemática, física e química eu não conseguia tirar nota mais alta do que zero por mais que me esforçasse. No início do ano eu sempre prometia a mim mesmo: neste ano eu me esforçarei, neste ano eu serei o melhor aluno. Mas assim que o professor começava a falar, por mais que eu tentasse, nada conseguia entender, por mais que estudasse tudo em casa depois, era como algo impossível, inalcançável.
Era muito fácil aos professores taxar o aluno de burro, sem analisar sua trajetória, o que causou sua dificuldade. Por isso, eu havia aprendido, o mais sensato a fazer é sempre fingir que está entendendo, se não quiser ser humilhado perante uma turma inteira.
Aquilo tudo estava me deixando com sono profundo... já era a terceira aula do dia e eu não agüentaria mais: deitei minha cabeça sobre a carteira e, sem que pudesse evitar, peguei no sono.
A sala estava lotada (mais de cinqüenta alunos) e em silêncio absoluto, exceto pela voz grave do severo professor.
Não sei quanto tempo, ao certo, se passou enquanto eu dormia. Sei que, de repente, quando eu menos esperava, alguém esbarrou violentamente em mim. Foi a deixa... naquela sala lotada, em que ninguém dizia um “ai”, eu acordei muito assustado e, sem perceber, naquele segundo, gritei um palavrão bem alto. Alto era pouco, o grito chegou a fazer eco por alguns segundos na parede daquela ampla sala.
Por alguns instantes o professor e a turma olharam para mim. Nem riam, sem estavam irritados, apenas extremamente surpresos, sem reação. A situação era tão inusitada que o professor nem soube como agir, simplesmente tornou a olhar para o quadro e, sem graça, continuou sua aula.
Eu já estava querendo sumir, contando os segundos para que aquela porcaria acabasse depressa, quando, por alguma razão, olhei para trás e vi uma menina, que olhou para mim de volta dizendo, (muito) sem graça:
- Desculpe. – e deu um sorriso encabulado.
Túti era seu nome, era magra, muito magra, tinha a pele escura, mas seu cabelo era liso, seus traços eram muito finos e seus olhos, da cor do mel.
Eu ri também, mas bem baixinho, para não chamar ainda mais atenção.
- É que eu tenho mania de ficar com o pé na cadeira da frente, e é minha amiga costuma se sentar aí, então eu acabei me distraindo e esbarrando em você.
Eu sorri e disse algo como “não tem problema” ou coisa assim. Naquele momento, minha intuição me disse que eu seria muito amigo daquela menina.
Hora do intervalo.
- Sabe, eu acho muito injusta a forma como o conteúdo é passado. Estamos aprendendo coisas apenas para colocar em uma prova, e depois jamais usaremos. E esse discurso de que “matemática é tudo” que os professores adoram, não é bem uma verdade. Sejamos realistas, algum de nós de humanas vai usar logaritmo na vida prática? É muito absurdo e os próprios professores sabem disso. – eu ia falando. De repente, perto de Túti, minha timidez tinha ido toda embora, eu falava pelos cotovelos, e ela mais ainda.
- Eu quero fazer direito, quero lutar pelas coisas que eu acredito. Depois quero alugar uma casa para morar com todas as minhas amigas, eu já falei com elas... ah, e quero ter um carro rosa. – ela falava sem parar, atropelando as palavras.
Nossa amizade crescia a cada dia e era impressionante como tínhamos afinidade, nunca ficava aquele silêncio constrangedor que às vezes fica entre as pessoas.
- Meninas, eu vim apresentar meu novo amigo.
- Êpa, carne nova. – brincou Dorinha, a mais assanhada do grupo.
- Ela está brincando, não se preocupe. – Túti riu.
- Claro, amiga, jamais daria em cima do seu namoradinho novo.
- Pára, Dorinha. O garoto vai ficar assustado desse jeito, ele é tímido. – Túti disse, sorrindo sem graça.
Dorinha não era muito bonita, mas tinha algo em seu jeito sensual e carismático que chamava a atenção dos rapazes da escola. A outra amiga de Túti era uma menina gordinha e muito tímida chamada Nana. Parando para lembrar, não me recordo de ter visto falando uma palavra sequer ao longo do ano, exceto para reclamar quando via algum cachorro se aproximando na rua (a única coisa que quebrava sua timidez e a fazia perder o controle: Nana os odiava)!
Essas três meninas, juntamente comigo, eram um grupo único. Durante todos os intervalos, sem exceção, nos reuníamos para lanchar no pátio. Víamos os carros e as pessoas passando e ficávamos conversando. Era uma boa forma de ir passando o tempo e esperar que aquele ano acabasse de vez.
Certa vez, enquanto íamos com nosso lanche para a parte de trás do shopping, onde ficávamos, todos os dias, Túti disse algo como:
- Poxa, eu nunca namoro no dia dos namorados chega e eu nunca namoro, será que no desse ano eu estarei namorando?
- Túti, pára de ficar mandando indireta para o garoto! – Dorinha brincou.
Túti riu, sem graça, e ficou de todas as cores. Eu ri também.
Aquilo me deixou confuso. Há tanto tempo que eu estava sozinho (a vida inteira, confesso), e ainda me lembrava da voz da minha mãe dizendo na minha infância que um dia eu encontraria alguém que fizesse meu coração bater tão forte a ponto de eu não conseguir pensar mais em nada, e isso seria o amor. Túti era de fato uma menina lindíssima, eu tinha uma grande afinidade com ela, ou seja, tinha tudo para gostar dela, só que por alguma razão essa sensação não aparecia. Também não acontecia com Dorinha ou com Nana, ou com qualquer uma das meninas da escola.
No dia seguinte, na aula, olhei para as meninas da turma. Havia algumas que eram consideradas verdadeiras obras de arte, de tão lindas. Nenhuma daquelas garotas olharia para mim, eu pensei. Mas, pensando bem, será mesmo esse o problema?
Algum tempo depois, não sei exatamente quanto, mas alguns meses, Túti começou a namorar um menino que estudava conosco. Luiz Claudio, tímido e atrapalhado, até se parecia de longe comigo. Eu bem tinha percebido que ele de vez enquanto vinha se juntar ao nosso grupinho com a desculpa de dar algum recado e acabava ficando durante um tempo conversando. Sabia que ele tinha interesse em alguma das meninas, sentia isso, e não estava errado. Um belo dia ele se declarou para Túti, ela resolveu aceitar.
Túti, para minha surpresa não mudou em ABSOLUTAMENTE NADA depois que começou o namoro. Continuamos nossa amizade exatamente como antes. Na verdade, em minha opinião particular, ela nem ligava muito para o namoro, embora gostasse do Cláudio como pessoa. Ele era um rapaz magrelo, alto, com pele bem branquinha e cabelos castanhos. Sempre ríamos todos juntos e, de tarde, depois das aulas, íamos juntos almoçar no restaurante de comida a quilo próximo à escola. Meu Deus, que saudade daquelas tardes ensolaradas... algumas recordações deviam ser banidas de nosso cérebro, pois nos trazem uma nostalgia tão grande, uma vontade tão intensa de viver naquele momento só por mais um segundo... o que é absolutamente impossível!

Foi então que chegou aquele dia, aquele do qual eu me lembro bem. Naquele dia minha vida mudaria e eu não podia imaginar. Preciso continuar... talvez contando a vocês eu me liberte dessas recordações, quem sabe...

- Me-me... de-desculpe... é que eu... eu pensei que você não tivesse chegado ainda...
- Aham... – eu era monossilábico, e ainda esperava que ele saísse.
- Bom... – ele disse, por fim, sorrindo, estendendo a mão para mim e se levantando. - ...eu sou Eduardo. Eduardo Ngidaha. Prazer!

Olhei por alguns segundos e, já que não tinha jeito, apertei sua mão e disse um “oi, tudo bem?” ou alguma coisa do tipo. Sua mão era pesada, quente, áspera e dura como uma pedra que ficou muito tempo estendida sob o sol.
Sentei na carteira finalmente e a aula começou. Tudo ia muito bem quando, em algum momento da aula, eu me senti mal... não mal de saúde, mas mal do coração. Eu sempre detestei injustiças e preconceitos, e agora fazia justamente tudo que eu sempre condenei. Tratei mal um rapaz e o julguei pelas aparências, quando ele só fez me tratar bem, e até apertou a minha mão.
No intervalo, Túti não me achou, nem as outras meninas. Nem sei por onde andei, só sei que fui para casa e fiquei pensando sobre aquilo por um tempo. Até que cheguei à seguinte conclusão: “que bobagem, não é tão grave assim, você não fez uma grande grosseria, só pediu que ele retirasse de seu lugar, amanhã você vai falar com ele e pronto, ele vai ver a pessoa legal que você é”.
Pensando nisso, fiquei mais tranqüilo e adormeci.
O dia seguinte veio, assisti à aula e já nem pensava mais nisso. Chegou o horário do intervalo. Estávamos tirando fotos naquele dia, lembro como se fosse ontem. Rindo e brincando, fazendo poses e mudando de lugar. Eu, Túti, Dorinha e Nana. Foi então que ouvi uma voz familiar.
- E aí, pessoal? Túti! Dorinha!
- E aí, Eduardo? Tudo bem com você?
Era o menino moreno dos olhos verdes novamente. Eu já sabia que o veria, mas ainda assim me surpreendia como se o visse pela primeira vez naquele momento. Ele cumprimentou as meninas e passou meio receoso por mim.
- Eduardo! – eu chamei.
- Sou eu! – ele respondeu, voltando depressa, meio surpreso.

(Continua...)

Um comentário:

  1. pooooooo
    eu quero saber mas ,
    por favor escreva ,
    gosto muito do seu blog!!!

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