Lá fora, o pessoal conversava animadamente com Luiz Antonio (que colocou de volta meu chapéu em minha cabeça). Estavam tão animados que nem perceberam que Cibela começava a resfolegar.
- Cibela, está tudo bem? – eu perguntei, mas não tive tempo de ouvir resposta, tive que segurá-la antes que caísse semi desmaiada no chão da rua. Chamei o pessoal. Nós a colocamos sentada ali perto e lhe demos um pouco de água.
- Está tudo bem, é só um pouco de pressão baixa. – ela disse.
Olhando para a porta da boate vi que o menino loirinho (e também o amigo moreno dele) estava indo embora de lá. O moreno acenou para mim, acenei de volta (ou vice-versa, não lembro). Pensei em ir atrás deles e pedir que me dissessem o sobrenome para que eu pudesse procurá-los futuramente, ou alguma forma de manter contato. Estou certo de que eles teriam gostado, mas pensando bem... para que fazer isso? Só o que queria era ter chegar em casa e nunca mais participar de uma aventura dessas. Ainda mais quando Otávio me disse que não seria possível me dar carona (e eu morava longe, nem fazia ideia de como voltar para casa às cinco da manhã). Mas não podia reclamar, não era culpa dele, seu carro estava lotado. Caminhei até a praia e peguei o ônibus, cheguei até rápido. Antes de dormir, pensei rapidamente no menino loirinho "apaixonado" e cheguei a me permitir uma risada.
Algum tempo se passou... eu até podia dar risada de tudo que me aconteceu naquele dia na boate, mas uma coisa não me saía da cabeça: o menino loirinho que conheci, o que ele tinha visto de tão especial em mim? Por que havia gostado tanto, a ponto de ficar por várias horas me perseguindo na festa? Parecia ser uma pessoa romântica, pelo menos. E afastei rápido pensamento, afinal, isso não era para mim, eu já deveria ter aprendido...
...
Espere um segundo, rebobine a fita, inverta. Tudo que eu sempre procurei era alguém assim. Eu me deixei levar por uma primeira impressão preconceituosa (pois o rapaz estava embriagado) e acabei não enxergando a única pessoa que também queria tudo o que eu sempre quis. Talvez, pensando mais amplamente, eu tenha até desperdiçado a maior chance da minha vida. (Que exagero! Melhor não pensar mais nisso!), e não pensei por mais um bom tempo.
Cheguei a ver Nando na rua alguns meses depois. Não me sentia atraído por ele nem um pouco e, pensando bem, ele não tinha um quinto da beleza que achei que tinha. Luiz também não tinha mais graça e Otávio, tampouco.
Foi quando assisti a um filme romântico, sozinho em casa, em uma tarde chuvosa. Tudo parecia tão perfeito e lindo, mesmo com todo o preconceito e todas as dificuldades, o protagonista do filme (um rapaz loiro e com sorriso cativante) continuava apaixonado e determinado por outro rapaz, que também o amava. O filme acabou e eu fiquei ali pensando.
Sozinho, ali, naquele quarto, olhei para dentro de mim mesmo...
Fui correndo procurar desesperadamente pelo rapaz loirinho, tendo como informações apenas seu primeiro nome, o bairro onde morava (Copa), e o fato de ter vindo de Porto Alegre. Procurei de todas as formas que pude: internet, perguntas... Nunca mais o encontrei. Não estava no Orkut, ou tinha qualquer conhecido em comum. Nada.
“Pode ser que (e muito provavelmente) você jamais o veja outra vez”, eu disse a mim mesmo. “Pode ser que tudo na vida tenha um sentido, um significado, e ele talvez tenha lhe ensinado algo...”, uma voz dentro de mim dizia, “...ou talvez não”.
Deitei minha cabeça na cama e, sem que eu percebesse, várias lágrimas correram em meu rosto.
Escrevi para Cibela perguntando quando voltaríamos lá, ao que ela me respondeu:
“Oi, tudo bem? No final do ano, assim que acabarem as provas na faculdade, todos nós vamos. Vem com a gente? Sei que você ficou confuso no começo porque era tudo muito novo para você, agora vai ser só diversão. Beijão, Cibela.”
Olhei para a janela... ah, que mundo grande lá fora! No céu daquele fim de tarde havia apenas algumas gotas de chuva e os sons dos últimos passarinhos do dia, além de alguns sons de carro ao longe e de uma brisa doce que tocava meu rosto e agitava meus cabelos negros... tudo como sempre, mas faltava alguma coisa, eu notava. Seriam as cigarras? Ah, não, eu também posso ouvi-las, então o que seriam? Demorei a me dar conta de que não havia nenhuma estrela cadente. Suspirei fundo antes de desviar meus olhos da janela e prosseguir minha vida, e apenas pensei, bem ligeiramente, naquela estrela cadente, e em quando apareceria a próxima...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Oiie, eu preciso lhe conhecer!!!
ResponderExcluirme add. wendelmossoro@hotmail.com
sua historia é muito parecida com a minha.
abraços...
Cara, gostei muuuuuito do seu blog.
ResponderExcluir