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sábado, 12 de dezembro de 2009

Esperanças Perigosas (parte 2)

Era a padaria, que minha irmã havia pedido. Que droga! O nervosismo começa a tomar conta de mim conforme as horas vão passando.

Olho para meu orkut, a foto que o fez me achar bonito era uma foto de rosto. Eu me olho no espelho... e se ele me achar magrelo demais? Lembrei das palavras de Nina dizendo que Daniel só gostava de meninos fortões "sem pescoço". Mas resolvi tirar isso da minha cabeça e dizer a mim mesmo: "você é bonito do jeito que você é". Fui à sala mais tranquilo e, quando o interfone tocou novamente, fui atender...

E mal pude acreditar quando o vi ali, na minha frente. Daniel, o mesmo garoto fofo que eu vinha acompanhando há tanto tempo pelo orkut. Eu o cumprimentei timidamente e o convidei para entrar. Ele me olhou com um olhar assustado que durou uma fração de segundos e, quando deu conta disso, abriu um grande sorriso e me cumprimentou. Ficamos conversando e ele me contou que estudava com Nina e que, no passado, havia estudado com mais da metade das pessoas da minha turma de terceiro ano. Ele só não conhecia Eduardo, mas conhecia a maior parte de seus amigos, e já tinha escutado muito falar dele.

O papo fluiu muito bem, Daniel era simpático (embora algo em seus olhos parecessem não verdadeiros, mas pouco eu me importava para isso, e pouco eu me permitia notar naquele momento), e era relativamente culto, podíamos conversar sobre muitas coisas.
Passamos pelo meu quarto, onde ele viu alguns dos meus bichinhos de pelúcia e filmes de desenhos da Disney, coisas que eu amo e que conservo guardados como um pequeno tesouro. Percebi que ele os olhou fixamente e depois sorriu para mim com aquele mesmo sorriso de político querendo voto.
Na saída, me lembrei de uma coisa: em um dos nossos assuntos pelo orkut, antes de vir me ver pessoalmente, ele me disse que havia um segredo para me contar.
- Bom... – ele começou – é uma besteira.
- Agora que prometeu, diga.
- Bom, é que eu nunca...
- Nunca...
- Nunca fiz nada mais sério com ninguém.
Achei tão fofo da parte dele ter me dito aquilo naquele momento que não pensei duas vezes em dizer o que eu achei que ele jamais deixaria de compreender. Com um sorriso ingênuo, eu entreguei:
- Eu também não! E, eu nunca beijei alguém.
Ele arregalou os olhos.
- Ninguém? Mas por quê?
- Oras, porque nunca conheci ninguém que me fizesse ter vontade.
- Mas é errado um cara chegar à sua idade sem beijar.
- Errado eu fazer o que quero com meu próprio corpo?
Ele sorriu simpaticamente e disse que precisava ir embora porque tinha compromissos (sendo que, antes de chegar, ele havia dito que ficaríamos juntos durante horas).
Uma onda de desespero começou a chegar e se espalhar.
- Espera... eu nunca beijei ninguém, porque queria que fosse com alguém especial, não era o momento, era um direito meu. Será que é tão errado assim? E agora, eu acho que sei por quê. Eu queria que fosse você.
Por uma fração de segundo ele fez uma expressão de pavor, e depois voltou ao sorriso simpaticamente forjado e disse que precisava ir.


- Antes de ir, me dá um beijo? – eu pedi. De alguma forma, meu jeito de garotão apaixonado bobão e desajeitado, deve ter mexido com ele de alguma forma.
- Feche os olhos. – ele me disse.
- Feche-os você.
Ele então cobriu meus olhos e, quando eu menos esperei...

tocou meus lábios bem devagar, com os dele!

Achei que meu coração ia explodir! Finalmente, havia beijado alguém, e alguém por quem eu já estava apaixonado!

- Quero um beijo de verdade! – eu disse.
Ele fechou meus olhos de novo e me beijou. A sensação de beijar alguém na boca, sentir os lábios dele nos meus, a língua dele na minha, era tão diferente do que eu imaginava... ele terminou o beijo, me deu mais um selinho e disse que precisava ir.
Não sei o que deu em mim neste momento, um conjunto de vontades que estavam lá dentro escondidas, enfim... tomaram conta de mim, e o abracei bem forte, colei meus lábios nos dele e comecei a beijá-lo ainda mais. Não conseguia ouvir nada, ver nada, só queria tocá-lo de alguma forma. Só queria tocar alguém, beijar e me aproximar cada vez mais.
O celular dele tocou. A voz dele tremia e as pernas dele pareciam que não iriam mais sustentá-lo. Ele estava muito nervoso.
- Meus amigos estão aí embaixo de carro. Eu preciso ir. – disse e saiu correndo (quase literalmente).

Fui dormir achando que não deveria mais pensar naquilo. Mas ao me deitar na cama, percebo uma forte dor nos meus testículos. Quase insuportável!

Abro o MSN e vejo milhares de mensagens de Janjão.

- Aiiiiiii, me conta tudoooooooo! Pegou ou não pegou o bofe?
- Ah, conversamos um pouco, e então ele foi embora. Gente boa ele...
- Ah....
-...
- É sério?
- MENTIRA, seu bobo!!!!!!!!!! Peguei!!!
- Uhuuuuuuul!
- Janjão, eu nem posso acreditar!
- Ai, isso me lembra tanto quando eu peguei o meu Daniel, há alguns meses atrás. Mesmo nome que o do seu bofe. Meu primeiro e único beijo...
- Que legal!
- ...aí ele me largou para ficar com outro... mas isso não importa. E então, conta TU-DO!
- Nem sei o que dizer! Foi maravilhoso! Acho que o assustei também, mas tudo bem. Agora eu estou preocupado porque estou sentindo umas dores estranhas e não sei o porquê.
- Ih, vai ao médico...
- Isso deve ter alguma coisa a ver com o que aconteceu?
- Será?

Janjão era tão inexperiente quanto eu. Conforme a dor foi aumentando, na outra janela acabei tendo que comentar com um ex-colega de turma, chamado Guilhermino, que me explicou tranquilamente:

- Pô, cara, isso acontece porque você ficou excitado demais e não fez... bom, você sabe. Enfim, não sabia?

“TÔIM-ÔIN-ÔIN”. Fiquei me sentindo o idiota naquele momento! Como eu era ingênuo e inocente.

Naquela noite, dormi pensando que havia conseguido tudo que queria de Daniel. Mas acordei durante a noite suando frio, com lágrimas nos olhos, e com um pressentimento estranho. E se ele fosse aquela pessoa que eu tanto procurei? E se fosse uma forma de Deus me recompensar por toda a mágoa que passei com Eduardo? E se Daniel fosse o amor da minha vida, quem sabe...?

No dia seguinte, ele estava no MSN. Dei um tempo para ver se ele viria falar comigo. Ok, não veio. Eu fui falar com ele.

- Oi, tudo bem?
- Oi. (Frieza)
- Bom, só queria saber se está tudo bem, se gostou de ter me conhecido. Quero dizer, espero que esteja tudo bem e que eu não tenha assustado você.
- Olha, vou ser sincero. Algumas coisas me assustaram sim. Você tem bichinhos de pelúcia no quarto. A sua cortina é rosa. Isso não é normal para um cara de 18 anos de idade. São sintomas de regressão.
- Você está equivocado, Daniel. Está sob a influência de uma sociedade preconceituosa. A sociedade determina padrões, até gostos, e nós ficamos submissos a ela. Cria regras e as naturaliza como verdades absolutas, como se fossem parte da natureza. Será que ninguém percebe isso? E se um dia as regras mudassem e fosse convencionado que homens de olhos escuros não podem assistir a filmes de comédia, por exemplo? Você deixaria de assistir a eles?
(Depois de uma demora, ele respondeu...)
- Lógico! Deixaria sim! Você está dentro dessa sociedade. Tem que viver de acordo com ela e se submeter a tudo. Entenda uma coisa que eu vou lhe dizer, Christian, guarde bem essa frase que é cruel, mas verdadeira: TUDO NA VIDA É STATUS!
- Isso é injusto. E a sua personalidade? E as coisas que ama? E a sua LIBERDADE? Tudo isso muda de acordo com o interesse?
- Ai, você faz um drama. E outra: alguém que nunca beijou ninguém aos 18 anos... isso é esquisito.
- Esquisito é eu fazer com meu corpo algo que não tenho vontade só para ficar dentro de um padrão imposto. E se quer saber, cansei dessa conversa. Até mais, au revoir.

Desliguei o MSN jurando que não falaria mais com ele. E consegui resistir. Naqueles dias, passei por momentos tristes quando pensava nele, e no fato de eu ainda não ter alguém especial ao meu lado. E durante um bom tempo pensei, até que comecei a esquecer. É lógico que ainda lamentava a falta de um namorado a quem chamar por nomes carinhosos, cantar, segurar mãos, suspirar, ver o sol nascendo juntos, essas coisas... mas consegui “anestesiar” e não pensar.

Até que um dia entrei no MSN para falar com algum colega de faculdade, e lá estava ele com o seguinte “Nick” (uma mensagem que os usuários deixam visível):

“Sempre procurei você em outros rostos, mas descobri que quem sempre quis era você...”

- Ah, que ótimo! – eu pensei, ironicamente – bom... espero que ao menos estejam felizes. Longe de mim, de preferência. Agora posso esquecer de vez tudo isso.

Mas, para minha surpresa, alguém veio falar comigo... era ele!

2 comentários:

  1. Oumg, que gracinha! Me lembrei de mim mesmo há uns 10 anos atrás!
    Tb tenho um blog q começou como "crônica da vida noturna gay", mas depois deu uma diversificada... se kiser explorar, esse aki é um post mais antigo que eu indico: http://oladosujo.blogspot.com/2009_04_01_archive.html

    bejoka e parabéns! Estou te seguindO!

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  2. Oi, "DirtyBoy", adorei seu comentário! Obrigado mesmo! E pode ter certeza de que vou dar uma conferida no seu blog! Adoro coisas sobre o tema e parece ser bem interessante.

    Beijos.

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