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sábado, 5 de dezembro de 2009

Esperanças Perigosas (como o padrão de beleza fere...)






Já havia se passado algum depois daquela grande confusão e eu achava que já estava tudo bem. Faculdade, vida normal, bem resolvido comigo mesmo... Mas por alguma razão a dor da rejeição e da incompreensão ainda doíam e as palavras de Eduardo ainda não me saíam da cabeça.

Eu fui me deixando levar pelo tempo e aparentemente era a mesma pessoa doce e silenciosa de sempre. Ninguém sabia que dentro de mim fervilhavam sentimentos e desejos que eu precisava extravazar.

Foi quando, um dia, utilizando o site do orkut, encontrei um recado de uma menina que havia estudado no mesmo colégio que eu, mas em outra turma.

- Oi, você é o Christian do Educandário? Beijos, Nina.

Eu não me lembrava dela, mas respondi dizendo que sim, quase imediatamente respondi outro recado, dizendo:

- Você parecia ser tão legal, apesar de tímido! Eu queria falar com você, mas ficava sem graça, pois sempre via você andando com a Túti e as outras meninas.

Gostei do jeito descontraído e engraçado da garota e respondi mais uma vez, dizendo que se ela tivesse falado comigo há mais tempo, teria sido um prazer.
A partir daí, durante todos os dias, começamos a nos corresponder. Eu respondia, ela respondia... em uma noite de tédio, através do programa do MSN no computador, ela me escreveu:

NINA diz:
Ai, Christian, estou entediada, jogando joguinho aqui... Fala alguma coisa.
CHRISTIAN diz:
Bom... eu estava vendo o orkut do pessoal do Educandário, e caí no orkut do Miguel, seu amigo, que era da minha sala.

NINA diz: Sei.
CHRISTIAN diz:
E ele tem um amigo, um tal de Leandro, que é tão bonito!

NINA diz:
Heim?
CHRISTIAN diz:
O que foi?

NINA diz:
você gosta de meninos, Christian?

Sem perceber, acabei desejando em cima dela toda a história da minha trajetória, da descoberta à carta para Eduardo.

NINA diz:
Nossa, que garoto babaca esse Eduardo! Mas olha, ele era muito puxa saco dos garotos populares e babacas da sala. Ele NUNCA vai se assumir, nem para si mesmo.

Aquilo ainda me doía naquele momento, embora eu já soubesse que Nina tinha razão.

NINA diz:
Eu tenho um amigo gay. Na verdade, colega de faculdade. Mas ele é fanático por beleza, vive em academia porque quer ser saradão... quer que eu passe o orkut dele?
CHRISTIAN diz:
Sim, por favor.

Quando abri aquela página e vi a foto do tal garoto, quase caí para trás. Era tudo de que precisava, uma nova paixão, alguém para quem dar todo o amor que eu tinha guardado. E não foi muito difícil transformar aquilo em uma obsessão. Nem respondi mais aos recados de Nina. Ficava apenas olhando para as fotos do tal rapaz. Daniel era seu nome. De pele morena, cabelos e olhos negros, parecia ser fortinho, mais ou menos do tipo do Eduardo. Durante algum tempo, pelo menos três minutos do meu dia eu passava olhando as fotos de Daniel no orkut, e admirando. Um dia, comentei isso com Nina, que me disse:

NINA diz:
- Chris, tome cuidado. Daniel é simpático e divertido, mas é uma pessoa superficial, e ele só gosta de caras exageradamente musculosos, aqueles sem pescoço, sabe?

A ficha caiu para mim. Eu ainda era um garoto magrelo... isso nunca me incomodou tanto quanto nesse momento. A sociedade em que vivemos convencionou que homens bonitos são aqueles que têm músculos, isso é passado tacitamente pela televisão, revistas, manequins, e tudo mais... Daniel, como a maioria dos garotos, aprendeu dessa forma. Achei melhor esquecê-lo, ele não iria olhar para mim, até que, naquela noite, tive um sonho...

Passava por um lugar, parecia um colégio ou uma faculdade... muitas pessoas passando, gritos... sons de vozes distantes, parecia caminhar sobre nuvens, tudo parecia uma grande vertigem. Ele, Daniel, aproximava... me abraçava... e me dava um beijo na boca. Nunca, em toda minha vida, havia tido um sonho tão real, era como se ele tivesse realmente me beijado.

Acordo com a cueca melecada. Liguei o computador e resolvi: não tenho nada a perder, vou escrever para ele.

"Oi, Daniel. Tudo bem?

Sou amigo da Nina. Achei por acaso seu perfil e vi que temos gostos muito parecidos para filmes, e que temos muitos amigos em comum. Você também se interessa pela vida da rainha Ana Bolena? Que legal! Se puder, me adicione, é sempre bom fazer novas amizades. Abraços."


Terminei de ler aquilo, achei ridículo e resolvi não mandar. Criei então um "fake" no orkut. Coloquei nele o nome "Ana Bolena" e uma foto da antiga rainha. Assim poderia escrever para ele sem que ele soubesse que era eu. Nunca fiz algo tão infantil na minha vida, mas não pretendia mais ser amigo dele, apenas queria chamar sua atenção de alguma forma.

"Ei, rapaz, tome cuidado, você não sabe nada sobre mim, posso estar vigiando você, muahahá". Às gargalhadas, mandei esse e outros recados. No dia seguinte, ao entrar no orkut, me deparo uma resposta dele:


"Sua bruxa! witch! witch! witch! "

Respondi: "sou bruxa, mas sou rainha, você não passa de um reles plebeu. Beijos".

Será que ele responderia no dia seguinte? Adivinhe... abro o computador e lá está:

"Posso não ser nobre mas sou rico, sorry,mas nao estamos mais no séc XVI, agora titulo de nobreza nao serve nempara limpar a bunda, o que manda nesse mundo captalista é o dinheiro. e isso vc não tem, falida!!!!!!!!

cale a boca antes que eu te esmague com o peso da minha carteira. Bruxa pagã! "

Respondi: "Shut up, menino fútil. Honey, você jamais chegará aos pés da grande rainha Bolena. Beijos, não me liga"


Durante vários dias, a minha nova Diva, Ana Bolena, ressuscitada e vindo diretamente da Inglaterra, me ajudava a puxar papo com Daniel. Com o tempo, fui usando outros personagens, reis e rainhas, nobres, pintores, músicos e escritores dos séculos passados, cada um com uma personalidade diferente. Criava perfis com os nomes das personalidades históricas e escrevia para ele, que sempre respondia rindo.

Aquele fim de ano parecia igual a todos os outros. A família continuava mergulhada em seu próprio mundo. Falar sobre cada um deles é complicado, personagens tão profundas que seria necessário um capítulo de um livro para cada um deles. Minha irmã havia sido uma das garotas mais bonitas de sua época, feliz e popular, mimada e cheia de vontades. O tempo foi passando, ela não quis estudar ou trabalhar e continuou vivendo às custas de nossa mãe, e sempre reclamando de tudo.

Até que chegou a festa de fim de ano, na casa de uma tia com jeito de madame blazé. Minha família, como sempre, mergulhada em seus interesses, problemas e frustações próprios, eu estava sempre sobrando nas conversas. No canto da sala, ouvia de longe todos conversando e quando começaram a brigar, acabando com a festa, por algum motivo de pouca importância.

Cheguei em casa cansado e desanimado já esperando por um ano novo igual a todos os outros quando resolvo escrever para ele por uma última vez.

"Rapaz, espero que tenha gostado da brincadeira. Você me ajudou a exercitar meu talento para ser escritor. A rainha Ana Bolena e os outros já voltaram para o mundo dos sonhos e dos tempos passados. Se você quiser me adicionar no meu orkut verdadeiro, aqui está o link. Abraços".

Antes que eu desligasse o computador, ele já havia respondido e me adicionado no msn.

DANIEL diz:
Você é lindo!
CHRISTIAN diz:
Espero que não teha levado a mal a brincadeira com os fakes.
- Ah, não se preocupe. É que eu não imaginava encontrar um príncipe encantado por trás de tantos disfarces.

Fiquei sem graça, por sorte não estávamos ao vivo e ele não tinha como perceber.

- Obrigado.
- Mas mesmo que você fosse feio, seria legal com você, pois gosto de ser legal com pessoas feias e carentes de vez em quando, por pena.
- Feias e carentes...? bom, Daniel, deixe-me pedir uma coisa: nunca fale comigo sem vontade, para ser legal.

A forma como ele se colocava como superior às pessoas fora dos padrões de beleza, me preocupou. A insegurança voltou.

- Não se preocupe, agora tudo vai ficar mais às claras. Estava vendo no orkut que temos muitos amigos em comum, e moramos perto. Quando vamos nos encontrar?
- Mas... já?
- Preciso ver você para saber se gosto de você.
- Pensei que já gostasse de mim.
- Já gosto de você. Mas quero saber se tem chance de a gente beijar, ficar, namorar, morrer junto, essas coisas. E então... amanhã, o que me diz?


Aquela rapidez dele me deixou assustado. Várias coisas me passaram pela cabeça: ele só tinha visto fotos minhas de rosto... e se ele me achasse magricelo? E se ele não gostasse de mim? E me encontrar com ele assim... será que era certo? Escrevi para Janjão, um garoto do nordeste com quem falava pelo msn desde que descobri que era gay, e que havia se tornado meu confidente secreto (já que nada do que eu dissesse a ele me comprometeria, e vice-versa, pois não tínhamos conhecidos em comum e estávamos muito distantes).

- CHRISTIAN diz: Janjão, estou falando com o Daniel na outra janela...
- JANJÃO diz: Que Daniel?



- O garoto em quem estou interessado.
- Ah...
- Ele quer que eu me encontre com ele...
- Mas já?
- O que eu faço, Janjão?
- Cara, eu já contei que me masturbei hoje usando um boneco?...
- Janjão, depois você me conta... eu estou nervoso, tenho medo de que ele me ache feio.
- Aiii, eu quero o Adam Pascal para mim, eu estava vendo os vídeos dele na Broadway! Ele é tão hot!
- Janjão! E o Daniel?
- Que Daniel?
- ...??? Você está de brincadeira, né?
- "Kkkkkkk".



(Janjão sempre ria no MSN escrevendo "kkkkk". E, apesar do jeito meio doidinho, juro que seus conselhor costumavam me ajudar... ok, eu sei que está difícil de vocês acreditarem, mas Janjão me deixa mais tranquilo... eu acho).



- Eu estou nervoso, Janjão! O que eu faço?



- Ah, vai lá, ué. É claro que ele vai gostar de você.
- Você acha mesmo...?
- YES! Você é hot, Christianzinho! Vai lá, garoto, e mostra para ele quem é que está no poder!



- Obrigado, amigo. I love you! Deseje-me boa sorte!



- KKKKK... Vai lá e pega o bofe!




O dia seguinte chegou, resolvi seguir o conselho do meu amigo-gay-virtual-secreto, e ir ao encontro com Daniel. Comprei roupas novas (nunca liguei para roupas, para mim o mais importante era estar limpo e arrumado, mas sabia que Daniel era do tipo que ligava, e não custava nada causar boa impressão, ou pelo menos era o que eu achava). Coloquei perfume, tênis novo, estava tão bonito quanto podia. Então... o interfone tocou! Fui abrir a porta...


(Continua...)

2 comentários:

  1. Contomia, estou adorando até esse ponto, mas estou mais curioso para saber o que acontecer na sua primera história, que você apenas começou e não terminou.

    E quando aparecer a próxima...

    Só vaia té a perte 3, cade o resto?

    me mande um email ou me add no orkut

    sonyuong@gmail.com

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  2. Oi, "young", já lhe mandei um e-mail, mas respondo também por aqui: obrigado pelo comentário. O primeiro conto postado, "E quando aparecer a próxima" foi postado inteiro, em três partes.
    Já a segunda parte deste aqui, eu postarei em breve. Talvez amanhã mesmo.

    Abraços,
    Christian

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